- FutPonte
- Gilson Kleina assume comando da Ponte Preta sob greve de elenco
Gilson Kleina assume comando da Ponte Preta sob greve de elenco
Por Redação FutPonte em 28/08/2026 20:14
A Ponte Preta se prepara para um embate decisivo contra o América-MG, em Belo Horizonte, válido pela 25ª rodada da Série B, carregando o incômodo fardo de 18 exibições consecutivas sem vitórias. No entanto, o drama desportivo é suplantado por um colapso administrativo interno: o elenco profissional suspendeu as atividades de treino desde a última quarta-feira em protesto contra vencimentos atrasados que, em casos extremos, chegam a seis meses de inadimplência por parte da diretoria.
Diante do impasse financeiro e da paralisação dos atletas do time principal, a preparação para o confronto de domingo acabou delegada aos jovens das categorias de base. Na última sexta-feira, o trabalho de campo foi conduzido apenas com os garotos do sub-20, evidenciando a fragilidade do planejamento institucional e deixando em aberto a escalação definitiva que representará o clube em Minas Gerais.
É sob essa atmosfera de extrema instabilidade que Gilson Kleina inicia sua sexta passagem pelo comando técnico da Macaca. Aos 58 anos, o experiente treinador foi apresentado oficialmente pelo coordenador de futebol João Brigatti. A regularização burocrática ocorreu de forma célere, com a rescisão do antigo técnico Márcio Zanardi e o novo vínculo de Kleina publicados no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF, garantindo sua presença jurídica na beira do gramado.
Desafios financeiros e greve de atletas marcam início de trabalho
Consciente do cenário adverso que encontra no Moisés Lucarelli, o novo comandante evitou discursos evasivos e reconheceu o impacto direto que os problemas extracampo exercem sobre o rendimento profissional. Kleina demonstrou empatia com a postura do elenco, ressaltando a dimensão humana por trás das reivindicações trabalhistas.
Ao analisar a situação dos jogadores que optaram pela paralisação, o técnico ponderou sobre as dificuldades financeiras enfrentadas pelo grupo:
"? Um atleta com problema é um homem com problema. É a mesma pessoa. Não tem como você ir para dentro de campo e achar que depois acabaram os problemas. Você está levando os problemas. Todos nós somos responsáveis por ser provedores de família, responsáveis por manter as despesas, e isso acarreta uma situação."
Com o objetivo de viabilizar uma equipe competitiva para o próximo compromisso, o treinador planeja dialogar individualmente com as lideranças do plantel. Para ele, encontrar um equilíbrio entre atletas rodados e a juventude da base será o caminho imediato:
"? Se você faz uma mescla com experiência e juventude, ajuda demais. Agora, só juventude, você ganha de um lado e vai perder de outro. Então vamos ter essa conversa. Espero poder contar com eles."
O comandante também confirmou de forma transparente que sua primeira atividade prática foi restrita aos jovens, respeitando a manifestação do elenco principal:
"? Nesse momento, eu ainda não tive a conversa com os atletas que estão tentando fazer ou fizeram a paralisação. Treinamos com os meninos da base. Não temos que esconder nada disso. Acho que não precisamos reverter, porque entendemos o que eles estão querendo justificar."
A identificação histórica como trunfo para a reconstrução
A forte ligação afetiva com a agremiação campineira foi o fator preponderante para que o técnico aceitasse o convite em um momento tão delicado. Kleina relembrou o apoio familiar e o peso emocional que a Macaca possui em sua trajetória pessoal para justificar o retorno:
"? Desde quando recebi o convite, no outro dia, arrumando minha mala, minha família, minha filha... praticamente fui criado em Campinas. Ela tem uniforme da Ponte Preta . Ela falou: ?Papai, vamos lá mais uma vez. Vamos ajudar. A Macaquinha está na nossa história?. Isso mexe muito comigo."
Essa relação de identificação foi construída ao longo de anos de serviços prestados. Gilson Kleina ocupa o posto de quarto treinador com maior número de exibições na história do clube, somando 232 partidas oficiais. Sua trajetória em Campinas é marcada por momentos de superação desportiva expressiva.
Abaixo, detalhamos os principais marcos das passagens anteriores do comandante no comando técnico alvinegro:
| Período/Ano | Feito Relevante no Comando Técnico |
|---|---|
| 2011 | Conquista do acesso à elite do futebol nacional (Série A) |
| 2017 | Campanha histórica que resultou no vice-campeonato do Paulistão |
| 2021 | Arrancada na Série B que evitou o rebaixamento da equipe |
| 2022 | Ciclo curto de 8 partidas, encerrado após revés no clássico local |
Apesar do retrospecto vitorioso no passado, os trabalhos mais recentes do profissional exigem atenção. Em suas últimas experiências de mercado, dirigindo Boavista-RJ e Itabaiana em 2026, Kleina acumulou apenas dois triunfos em um total de 17 compromissos disputados. O treinador regressa ciente de que precisará contrariar as estatísticas recentes para reerguer o futebol da equipe.
O maior desafio da carreira de Gilson Kleina
Em seu pronunciamento oficial de apresentação, o técnico enfatizou que assume a responsabilidade focado exclusivamente na gestão do futebol, rechaçando qualquer papel político dentro das disputas internas da instituição:
"? Esse é o meu maior desafio como treinador, não resta a menor dúvida. Eu não vim aqui fazer política. Vim aqui para cuidar do futebol, tentar fazer com que esses atletas que hoje não estão querendo jogar entendam o que vai representar para eles terminarmos de uma forma digna."
O comandante evitou promessas milagrosas de curto prazo, apontando que a reestruturação do ambiente de trabalho demandará paciência e engajamento coletivo de toda a comunidade ligada ao clube:
"? Não estamos dizendo que temos a receita, que temos a varinha de condão, que vamos resolver da noite para o dia. Mas vamos solucionar. E, com a união de todos os pontepretanos, fazer a Ponte Preta sorrir novamente."
Por fim, Kleina convocou a torcida para desempenhar um papel ativo na reabilitação desportiva, resgatando a atmosfera mística do Estádio Moisés Lucarelli em momentos decisivos do passado:
"? Toda vez que chego ao Moisés, lembro da presença da torcida, do estádio lotado. Isso é uma coisa que vamos reviver novamente. Nós vamos reconstruir isso. A nação pontepretana tem que estar junto com a gente, apoiar esse momento, que é delicado."
Sem estipular prazos rígidos para a consolidação de sua metodologia, o profissional encerrou sua manifestação expressando profunda gratidão e reiterando o compromisso ético com a instituição alvinegra:
"? A minha gratidão e o meu respeito por esse clube são muito grandes. Espero que a gente faça uma reconstrução e que esse trabalho seja bem feito a partir de hoje."
Curtiu esse post?
Participe e suba no rank de membros