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Ponte Preta: Penhora de R$ 1,5 milhão das receitas da CBF agrava situação financeira do clube
Por Redação FutPonte em 05/02/2026 09:33
A Associação Atlética Ponte Preta enfrenta um novo e severo obstáculo em meio às suas dificuldades financeiras. Uma decisão judicial determinou a retenção de R$ 1.540.000,00 das verbas que o clube tem a receber da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Esta medida surge em decorrência de atrasos persistentes no cumprimento das obrigações estabelecidas pelo Plano Especial de Pagamento Trabalhista (PEPT), com cerca de dez meses de parcelas em aberto.
A magistrada Bruna Muller Stravinski, atuante no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, emitiu a ordem para que a CBF realize a penhora e o repasse imediato da quantia estipulada. O documento judicial especifica: "Expeça-se ofício à CBF para a penhora e imediata transferência da importância de R$1.540.000,00 (um milhão e quinhentos e quarenta mil reais) decorrentes de toda e qualquer receita devida à Associação Atlética Ponte Preta , para pagamento das parcelas vencidas do Plano Especial de Pagamento Trabalhista, reunidas nesta execução piloto efetue a penhora e transferência de toda e qualquer receita devida à Associação Atlética Ponte Preta , presente e futura, até o limite da importância de R$1.540.000,00 (um milhão e quinhentos e quarenta mil reais) para pagamento das parcelas vencidas do Plano Especial de Pagamento Trabalhista, reunidas nesta execução piloto". A determinação foi proferida na última terça-feira, 3 de fevereiro.
Penhora de Receitas da Ponte Preta: Entenda o PEPT
O Plano Especial de Pagamento Trabalhista (PEPT) em questão foi formalizado entre a Ponte Preta e a Justiça do Trabalho no mês de agosto do ano passado. Naquela ocasião, a gestão do clube era liderada por Marco Antonio Eberlin, que atualmente ocupa os cargos de vice-presidente e diretor de futebol. Este acordo visava consolidar diversas ações trabalhistas em um único processo, com o compromisso de depósitos mensais por um período de seis anos.
Inicialmente, o valor das parcelas mensais fixado era de R$ 120 mil, totalizando R$ 8,64 milhões ao final do prazo. Contudo, o plano previa revisões periódicas a cada dez meses para incorporar novas execuções que surgissem após outubro de 2022, data do pedido inicial do clube. Essa atualização implicaria no aumento tanto do valor mensal quanto do montante total a ser pago. Em agosto de 2023, por exemplo, 38 processos em execução provisória somavam aproximadamente R$ 11,1 milhões adicionais.
Impacto no Elenco e Situação Esportiva
Entre os nomes que compõem este processo unificado encontram-se ex-jogadores e ex-funcionários do clube, como Renato Cajá, Fábio Ferreira, Aranha, Doriva, Léo Gamalho e Alexandre Gallo, todos com passagens por gestões anteriores da Ponte Preta .
Atualmente, o valor da parcela mensal do PEPT atingiu aproximadamente R$ 150 mil. Em pronunciamento à Rádio Central, de Campinas, o presidente da Ponte, Luiz Torrano, abordou a questão: "Realmente estamos atrasados. Conversamos (com a Justiça do Trabalho) e explicamos que vamos pagar agora no mês de fevereiro. Não é um bloqueio. É uma garantia. Nós que sugerimos isso. Se a gente não pagar esses 10 meses de R$ 150 mil, deixa em garantia. Se a gente pagar, suspende a garantia".
Este não é o primeiro revés financeiro do clube neste ano. Em novembro, a Ponte Preta já havia sofrido outra penhora de recursos para quitar uma dívida de R$ 1,2 milhão com o técnico Hélio dos Anjos, referente a um processo iniciado em 2023, após sua saída do clube por divergências com a diretoria.
Segundo Torrano, o panorama da Ponte é descrito como "muito complicado", com um "caixa zerado". Essa instabilidade financeira fora das quatro linhas tem reflexos diretos no desempenho da equipe em campo. Com salários defasados desde meados de 2025, novas demandas trabalhistas, a saída de jogadores antes mesmo de estrearem devido aos problemas de caixa, e um transfer ban que impediu o registro de novas contratações nas rodadas iniciais do Campeonato Paulista, obrigando o clube a recorrer às categorias de base, a Ponte Preta amarga a última colocação no estadual e se encontra em uma situação de virtual rebaixamento para a Série A2.
Perspectivas para a Permanência no Paulistão
Atualmente, o time acumula apenas um ponto em 18 disputados, com um saldo de cinco derrotas e um empate. Para evitar a queda, a Ponte Preta precisa de uma combinação de resultados: vencer seus dois jogos restantes, contra a Portuguesa (fora de casa) e o São Paulo (em casa), e torcer por tropeços dos seus concorrentes diretos na luta contra o rebaixamento. A possibilidade de o rebaixamento ser confirmado matematicamente pode ocorrer já no próximo sábado, quando a equipe enfrentará a Portuguesa no Canindé, às 16h.
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