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Ponte Preta Sem Rumo: Greve de Jogadores Derruba Técnico Márcio Zanardi

Por Redação FutPonte em 27/08/2026 00:10

A degradação administrativa da Associação Atlética Ponte Preta atingiu o seu limite extremo. Com um endividamento global estimado em cerca de R$ 320 milhões e enfrentando diversas cobranças judiciais que envolvem desde grandes montantes até despesas básicas de fornecedores diários, como padarias, a agremiação de Campinas vivencia um colapso institucional sem precedentes. Esse cenário de insolvência financeira reflete diretamente no desempenho esportivo do elenco.

Dentro das quatro linhas, a situação da equipe é alarmante no torneio nacional. Após a disputa de 24 rodadas na Série B do Campeonato Brasileiro, a representação alvinegra conseguiu somar apenas dez pontos, um rendimento pífio que isola o clube na última colocação da tabela de classificação. A falta de rumo fora de campo cobra um preço caríssimo na tabela de classificação.

Abaixo, apresentamos os dados que ilustram a gravidade do panorama administrativo e esportivo enfrentado pela instituição campineira:

Indicador Institucional Dados Registrados
Endividamento Estimado Aproximadamente R$ 320 milhões
Pontuação na Série B 10 pontos conquistados
Rodadas Concluídas 24 partidas disputadas
Jejum Geral de Vitórias 18 confrontos consecutivos
Atraso Salarial Máximo Até 11 meses de pendências

Desempenho esportivo despenca sob o comando de Márcio Zanardi

O comando técnico do clube também ruiu sob o peso dos problemas internos. O treinador Márcio Zanardi solicitou oficialmente seu desligamento nesta quarta-feira (26). A saída do profissional, que estende-se a todos os membros de sua comissão técnica, coloca um ponto final em uma passagem curtíssima e estatisticamente desastrosa pelo Moisés Lucarelli.

Zanardi iniciou sua trajetória à frente da Macaca em junho e esteve no banco de reservas em 12 oportunidades. O comandante não obteve nenhuma vitória durante sua permanência, acumulando dez derrotas e somente dois empates ? ocorridos diante de Athletic e Náutico. Essa sequência negativa é parte preponderante do jejum de 18 partidas que assombra o clube.

A decisão do técnico em entregar o cargo foi precipitada pela atitude drástica adotada pelo elenco . Diante de atrasos no pagamento de salários e direitos de imagem que chegam a seis meses em determinados casos, os jogadores profissionais decidiram interromper por completo os treinamentos e compromissos oficiais.

Elenco profissional decreta paralisação total das atividades

A greve dos atletas foi comunicada de forma coletiva, evidenciando o descontentamento generalizado com a gestão do clube. Por meio de um manifesto público, o grupo de jogadores expôs a ausência de diálogo com a cúpula diretiva e relatou um profundo sentimento de desamparo em meio ao cenário de promessas não cumpridas.

Amparados pela legislação desportiva vigente, que assegura o direito de paralisação aos profissionais com vencimentos atrasados por período igual ou superior a dois meses, os atletas ressaltaram que esgotaram todas as tentativas de resolução pacífica antes de optar pela suspensão das atividades.

Confira a íntegra do posicionamento oficial divulgado pelo elenco pontepretano:

"Nós, atletas da AA Ponte Preta, comunicamos à diretoria e à imprensa que: Como é de conhecimento público e geral, da imprensa e torcedores, a maioria de nós atletas não recebemos os últimos meses de salários e direito de imagem, que em alguns casos chegam a 6 meses sem o devido pagamento. O § 5º do artigo 90 da Lei Geral do Esporte permite ao atleta profissional paralisar as atividades profissionais, inclusive recursar-se a competir, quando os salários estiverem em atraso por 2(dois) ou mais meses: Art. 90. - ? § 5º - É lícito ao atleta profissional recursar-se a competir por organização esportiva quando seus salários, no todo ou em parte, estiverem atrasados em 2 (dois) ou mais meses. Esperamos semanas e até meses para tomarmos essa drástica atitude, respeitando a torcida e principalmente a instituição AA Ponte Preta. Porém, ante o descaso da atual diretoria, considerado como desrespeito a nós atletas, não apenas pelos salários em atraso, mas também pelo abandono da atual gestão, comunicamos que a partir desta quarta-feira, 26/08/206, após encerramento do prazo que estipulamos para a diretoria, suspenderemos as nossas atividades, até a regularização dos nossos pagamentos. Atenciosamente, Elenco Profissional de Atletas da AA Ponte Preta".

Diretoria sob pressão extrema para evitar o colapso definitivo

A debandada da comissão técnica somada à greve do plantel deixa o departamento de futebol da Ponte Preta em uma situação de completo isolamento político e operacional. Sem comando técnico e sem atletas dispostos a entrar em campo, a diretoria se vê encurralada pela necessidade de obter recursos imediatos para honrar as pendências mais urgentes.

A atual administração, amplamente criticada pelo elenco pela ausência de respostas, terá que agir com rapidez incomum para evitar que o clube sofra punições ainda maiores ou inviabilize de vez a sua permanência na divisão de acesso do futebol nacional.

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