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Reviravolta na Ponte Preta: Pedido de afastamento de Torrano ameaça SAF
Por Redação FutPonte em 18/08/2026 10:01
O futuro administrativo e esportivo da Ponte Preta está diante de um cenário de extrema polarização. Lanterna da Série B do Campeonato Brasileiro, enfrentando atrasos no pagamento de salários e sob o peso de um endividamento estimado em R$ 320 milhões ? acrescido de cerca de R$ 20 milhões em débitos de IPTU ?, o clube vê na transição para a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) uma saída para sua sobrevivência financeira. Contudo, a votação agendada para o dia 24 de agosto de 2026 transformou-se no estopim de uma intensa disputa pelo poder nos bastidores do Moisés Lucarelli.
A atual gestão, liderada pelo presidente Luiz Antônio Alves Torrano, defende que a constituição da SAF é a alternativa viável para reestruturar o departamento de futebol profissional e a base. Segundo as diretrizes apresentadas pela diretoria, o projeto prevê a preservação do patrimônio imobiliário da instituição, mantendo o estádio e a sede social sob propriedade do clube associativo. No entanto, a ala opositora contesta a legitimidade da atual cúpula para conduzir um processo dessa magnitude histórica.
Oposição aciona estatuto para barrar votação da SAF na Ponte Preta
Em uma ofensiva coordenada para frear o andamento da assembleia da SAF, um grupo de oposição protocolou formalmente um requerimento exigindo a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE). O objetivo central do movimento é deliberar sobre o afastamento imediato do presidente Luiz Antônio Alves Torrano e do primeiro vice-presidente, Marco Antônio Eberlin. Os opositores argumentam que o destino do futebol da Ponte Preta não deve ser selado antes que a própria permanência da atual diretoria seja referendada ou destituída.
Para além do âmbito administrativo do clube, os articuladores da oposição avaliam recorrer ao Poder Judiciário. A estratégia jurídica visa obter uma liminar para suspender a assembleia do dia 24 de agosto de 2026. O intuito é garantir que qualquer deliberação sobre a transformação societária ocorra apenas após o julgamento político da conduta dos atuais mandatários.
De acordo com o ex-diretor financeiro Gustavo Valio, que atua como um dos porta-vozes da iniciativa, o documento apresentado conta com a assinatura de 158 conselheiros em situação regular e com mais de dois anos de contribuição ativa. Valio fez questão de frisar o caráter coletivo da petição, blindando o movimento de personalismos ao declarar:
"Esse requerimento não é do Gustavo Valio". A decisão final sobre a abertura do processo de destituição caberá à Assembleia Geral.
Os bastidores jurídicos e as regras para o afastamento da diretoria
A sustentação legal do pedido baseia-se nos artigos 47 e 48 do Estatuto Social da Ponte Preta , dispositivos que regulam o funcionamento das assembleias extraordinárias e a fiscalização dos atos da Diretoria Executiva. Caberá agora ao presidente do Conselho Deliberativo, José Armando Abdalla Júnior, examinar minuciosamente a lista de signatários para certificar se cumprem as exigências de elegibilidade e regularidade financeira previstas no artigo 43 do regulamento interno.
Para compreender o embasamento estatutário que norteia este embate político, a tabela abaixo detalha as normas aplicadas ao caso:
| Artigo do Estatuto | Disposições e Regras Aplicadas |
|---|---|
| Artigo 47 | Prevê a convocação de AGE para deliberar sobre a destituição de membros da Diretoria Executiva ou sobre a constituição da SAF. |
| Artigo 48 | Estipula que a AGE pode ser convocada pelo presidente do Conselho ou por requerimento de 1/5 dos associados aptos, com antecedência mínima de 15 dias. |
| Artigo 43 | Define as condições de participação: maioridade, gozo dos direitos associativos e o mínimo de 24 meses de contribuição regular. |
Mesmo com o protocolo das assinaturas, a realização da assembleia para julgar a diretoria não tem data para ocorrer. Devido à exigência estatutária de um prazo mínimo de 15 dias de antecedência para a convocação oficial, o rito interno impede que o afastamento seja votado antes do dia 24 de agosto de 2026. Esse descompasso temporal explica a pressa da oposição em buscar amparo na Justiça comum para paralisar o processo da SAF.
A Ponte Preta se encontra em uma encruzilhada onde a urgência por socorro financeiro colide diretamente com a falta de consenso político. Os desdobramentos dos próximos dias ditarão se o clube priorizará a resolução de seus conflitos internos de governança ou se dará o passo definitivo para a entrega de seu futebol à iniciativa privada.
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