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SAF na Ponte Preta: entenda como funciona a transformação em clube-empresa
Por Redação FutPonte em 04/08/2026 20:05
O cenário do futebol em Campinas tem sido pautado pelo tema da Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Se anteriormente as discussões orbitavam apenas em torno do Guarani, agora a Ponte Preta também figura como protagonista nesse importante debate sobre o futuro institucional das agremiações da região.
Enquanto no Guarani o rito está avançado, com o Conselho Deliberativo agendado para o dia 11 de agosto e uma série de Assembleias Gerais marcadas entre 1º e 4 de setembro para a decisão final dos associados, a Macaca segue um caminho distinto. Na Ponte Preta , existe uma minuta de intenções, mas o processo ainda depende da abertura da Recuperação Judicial e, posteriormente, da aprovação em Assembleia Geral de Sócios e no Conselho Deliberativo.
O que define a estrutura de uma SAF
Para compreender o impacto dessa mudança, é preciso recordar que a maioria dos clubes brasileiros opera como associações civis sem fins lucrativos, onde sócios elegem presidentes e conselhos. A SAF, regulamentada em 2021, altera essa lógica ao converter o clube em uma sociedade empresarial. Com isso, o foco migra para a gestão profissional e a busca por resultados financeiros.
Ao se tornar um ativo econômico, o clube pode atrair investidores que, geralmente, adquirem cerca de 90% das ações, embora esse percentual possa variar conforme as cláusulas contratuais. Diferente do modelo associativo, onde o Conselho Deliberativo detém o poder de destituir gestores, na SAF o controle é exercido pelo investidor, que mantém o comando até decidir pela venda de sua participação para terceiros.
Gestão profissional e o tratamento de dívidas
A transição para o modelo de empresa exige uma governança especializada, com executivos dedicados às áreas jurídica, financeira, comercial e esportiva. Um dos pontos mais críticos dessa mudança diz respeito ao passivo financeiro. Em regra, as dívidas ficam retidas na associação civil, enquanto a SAF assume as operações do futebol.
Para lidar com o endividamento, a legislação prevê o Regime Centralizado de Execuções, que organiza os credores em uma fila única. O funcionamento desse mecanismo segue critérios específicos:
| Critério | Prioridade de Pagamento |
|---|---|
| Dívidas prioritárias | Créditos antigos, idosos e portadores de doenças graves |
| Casos sociais | Gestantes e vítimas de acidentes de trabalho no futebol |
| Valores menores | Credores com quantias inferiores a 60 salários mínimos |
Neste modelo, a SAF compromete 20% de suas receitas mensais para quitar esses débitos em um prazo de seis anos, podendo ser estendido para dez anos caso 60% do montante seja liquidado no primeiro ciclo. Além disso, a empresa conta com um regime tributário diferenciado nos primeiros cinco anos, com alíquota unificada de até 5% sobre as receitas, excluindo transferências de atletas.
Expectativa de retorno para o investidor
A viabilidade do negócio para quem aporta capital na SAF reside na valorização do ativo e na exploração comercial de diversas frentes. O investidor busca retorno através da venda futura da empresa, dividendos obtidos com patrocínios, direitos de transmissão e negociação de jogadores, além da exploração de eventos e novos negócios no estádio.
A SAF será responsável pelos investimentos na montagem do elenco e por todos os custos da operação do futebol. A partir do sexto ano, a carga tributária é ajustada para 4%, passando a incidir sobre o total das receitas, incluindo a venda de direitos econômicos de atletas, consolidando a transição completa para o modelo de mercado.
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